6. ECONOMIA E NEGCIOS 6.2.13

1. VALE A PENA BUSCAR O SUPERVIT A TODO CUSTO?
2. PARA SE HOSPEDAR NO CARNAVAL

1. VALE A PENA BUSCAR O SUPERVIT A TODO CUSTO?
Os nmeros do supervit revelam decises econmicas que podem contribuir para a criao de empregos ou o corte de funcionrios, nortear investimentos ou apontar para uma recesso. A vantagem de alcan-lo ou no vai depender da conjuntura
Paulo Moreira Leite 

O debate econmico de 2013 comeou com uma fantasia ideolgica em torno do supervit primrio, que  a soma de recursos que o governo economiza para fazer frente  dvida pblica. Em 2012, ao constatar que a coluna de despesas subia muito mais que a de receitas, Braslia promoveu um conjunto de operaes contbeis para fazer o supervit primrio chegar perto da meta inicial de R$ 97 milhes. Pela compra e venda de papis entre a Petrobras e o BNDES, pela incluso de recursos do PAC e dividendos da Caixa Econmica, o governo fechou uma conta de R$ 88 bilhes. Mas o artificialismo desse nmero era to visvel que provocou uma reao amarga at de aliados do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O czar do milagre econmico de 1970, Antonio Delfim Netto, definiu a operao como uma deplorvel alquimia e disse que ela poderia comprometer a credibilidade de toda a poltica econmica.
 
 bvio que nenhum governo deve esconder nmeros reais, experincia que contribui para diminuir a confiana na economia e obscurece uma viso confivel sobre as perspectivas de crescimento. Mas a pergunta que interessa  outra:  necessrio perseguir o supervit primrio de qualquer maneira? O que o Pas ganha com isso? A resposta : depende da conjuntura. Os nmeros do supervit expressam opes de poltica econmica que interessam a toda a sociedade. Podem ajudar na criao de empregos ou no corte de funcionrios.
 
Podem orientar investimentos ou apontar para uma recesso. No h mgica duradoura em debate. A nica forma de aumentar o supervit  cortar gastos e diminuir investimentos. E vice-versa. Em todo caso, so decises cruciais, seja no Brasil, onde investimentos do Estado tm um papel importante na economia, seja em pases desenvolvidos. Estimulada por um pacote de US$ 700 bilhes, a economia norte-americana reagiu depois da crise de 2008, ainda em passos lentos e decepcionantes. Preocupada com o fantasma de inflao, fanatizada pela noo de controle de gastos, a Europa s tomou as primeiras iniciativas de estmulo quando era tarde demais. Quebrou pases com sade relativa, como Portugal, Espanha, Itlia e Irlanda e colocou a Grcia, de uma vez, no despenhadeiro.
 
O supervit caiu em 2012, no Brasil, porque o governo se mobilizou para impedir uma queda maior da economia. O crescimento de 1% mostra que o efeito no foi to bom como se esperava, mas a vida estaria pior se a economia tivesse sido largada para cair ainda mais  quando o esforo para levantar o crescimento e recuperar a confiana  ainda mais difcil e complicado.
 
Como demonstram as contas do Banco Central, uma parte crucial do dficit veio de Estados e municpios, que tambm ultrapassaram sua meta. Quem acha isso ruim deve considerar que a contrapartida seria mudar o rumo de um pas onde a renda dos mais pobres no parou de subir e o desemprego fica em 5%. O debate, em parte, no  econmico nem apenas poltico, mas cultural. Muitas pessoas raciocinam com um reflexo social condicionado, para quem  inevitvel jogar a conta dos sacrifcios sobre fracos e desprotegidos.

No incio de 2013, a soma das desoneraes j realizadas e j contratadas bate em R$ 99 bilhes. Para garantir o corte de 18% na conta de luz depois que as usinas ligadas a Estados governados pela oposio se recusaram a acompanhar o desconto, Braslia ir usar receitas de Itaipu. A perda de receita da Previdncia, que chegar a US$ 15 bilhes em 2013, ser coberta pelo Tesouro, como a lei obriga. O esforo de seis anos para conter o preo da gasolina, quebrado com um aumento na semana passada, se explica por essa razo. Se a Petrobras fosse uma empresa privada, construda com recursos prprios, seria natural que sua direo s tivesse olhos para o resultado econmico, o bnus de seus dirigentes e os dividendos de acionistas. Sendo uma empresa pblica,  aceitvel at do ponto de vista tico que devolva ao cidado uma parcela do que recebeu ao longo da histria.
 
O debate sem fantasias envolve o que ir ocorrer entre 2013 e 2014, o ano em que Dilma Rousseff tentar a reeleio  e a oposio estar mobilizada para conseguir uma primeira vitria aps trs derrotas consecutivas.  bom entender que a mensagem mudou. Dilma assumiu uma postura  literalmente  oposta quela que a equipe econmica de Lula manteve durante a campanha de 2002, quando a inflao estava em disparada, o dlar explodiu e determinadas consultorias faziam terrorismo econmico. Num esforo para garantir credibilidade a um governo que ainda no havia mostrado a que vinha, a Carta ao Povo Brasileiro prometia elevar o supervit primrio at onde fosse necessrio. Era uma iniciativa coerente com uma conjuntura de perda de controle, com o dlar nas alturas e o FMI nos calcanhares.
 
Aps a vitria, Lula levantou o supervit para 3,3% em 2003 e 3,5% em 2004, o que ajudou a conter a inflao e criou uma situao favorvel ao crescimento. Na hora em que foi preciso enfrentar o desmanche dos mercados depois da crise do Lehmann Brothers, em 2008, o governo agiu numa direo inversa. Abriu as torneiras do crdito e reduziu impostos para o consumo, numa reao to bem-sucedida que muitas pessoas s ficaram sabendo o que tinha acontecido mais tarde, quando o IBGE divulgou seus nmeros. (O supervit de 2009 foi o mais baixo da histria recente: 2% segundo nmeros oficiais, apenas 1% conforme contas teoricamente mais rigorosas.) Aps o estouro do crescimento em 2010, o governo voltou a elevar o supervit em 2011. Bateu 3,1% do PIB, o que ajuda a explicar o declnio dos ltimos anos. Em 2013, mais uma vez o governo ir diminuir o supervit primrio at onde for necessrio  agora para estimular o crescimento. A meta de 3,1% no est valendo mais. Se ficou em 2,4% em 2012, talvez nem chegue a isso em 2013. Isso  possvel numa situao de contas equilibradas e nmeros que conversam uns com os outros. A inflao cai pouco de um ano para outro, mas cai. A dvida pblica gira em torno de 35% do PIB. Passava de 50% h mais de uma dcada.


2. PARA SE HOSPEDAR NO CARNAVAL
A boa notcia para quem deixou para planejar o feriado na ltima hora  que ainda h opes
por Mariana Queiroz Barboza

Tanto para os que gostam da folia quanto para os que querem descanso, o feriado de Carnaval  uma tima oportunidade para sair de casa. A boa notcia  que viajar em cima da hora ainda  possvel graas  grande oferta de passagens areas e casas de temporada para alugar. A opo por essa alternativa pode sair at 80% mais barato do que um hotel, segundo o site AlugueTemporada, mas  preciso tomar alguns cuidados. De acordo com o advogado especialista em direito imobilirio Rodrigo Karpat,  direito do proprietrio receber todo o pagamento antecipado. Por isso, o locatrio deve conhecer a casa antes e assinar um contrato de temporada vlido por, no mximo, 90 dias, diz. Como garantia, todos os bens que esto dentro do imvel devem ser listados com seu devido estado de conservao. Se o fogo no estiver funcionando, por exemplo, o consumidor pode pedir ressarcimento ou abatimento no valor da diria, afirma Karpat. O advogado tambm recomenda a quem pretenda levar animais de estimao que informe antes ao locador. Agora, conseguir lugar nos destinos mais procurados  questo de sorte. Para Nicholas Spitzman, presidente do AlugueTemporada, que oferece 20 mil imveis, a procura deve comear com at seis meses de antecedncia. Nesses casos,  comum conseguir descontos e termos melhores.

